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Livro: Os dois períodos intermediários do Antigo Egito no contexto da expansão do grande mercado em tempo muito longo (Art. 4, Cap. II, 2.1.; p. 23-26) www.tribodossantos.com.br
O Mercado Global pré-diluviano houvera favorecido a multiplicação da produção em geral, e incrementara o aumento populacional sobremodo no interior de cada cidade e nos arredores desta. Essa incrementação tomou, sobretudo nas grandes cidades, formas exacerbadas. A rede global houvera se expandido até ao limite das suas possibilidades. A partir deste limite, o Mercado Global adentrara em longo processo de depressão. Posto que, ele multiplicara a produtividade e se expandira, na mesma medida que intensificara a exploração das forças de trabalho, até levar estas ao esgotamento de suas energias.
A partir ponto de esgotamento acima indicado, as forças de trabalho adentraram numa longa fase de estado de “repouso” ou “descanso”.[1] Ou seja, as forças de trabalho não conseguiram seguir o ritmo cada vez mais acelerado relativo ao nível da produtividade, que a rede global de mercados lhes exigia. Em razão disso, essa rede global adentrou na longa fase de depressão econômica, que determinados pensadores antigos chamaram de “Noé”. Os períodos cíclicos de recessão econômica seguida de depressão próprios do Grande Mercado, então, passaram a se repetir de modo cada vez mais próximos um do outro, e mais graves.
A depressão Noé da grande rede global de mercados macro-regionais engendrara o longo e progressivo processo de fragmentação tripartite, atinente à configuração espacial relativa a essa grande rede global. Fragmentação tripartite esta que determinados pensadores antigos rotularam de “Sem, Cam e Jafet”, e que concebiam as respectivas configurações espaciais do seguinte modo: Sem (elamitas, assírios, arameus e os antepassados dos hebreus); Cam (os países do Sul: Egito, Etiópia, Arábia e Canaã); Jafet (povos da Ásia Menor e das ilhas do Mediterrâneo).[2]
O clímax do processo depressivo Noé acima citado, apresentou-se como a maior crise econômica de todos os tempos, e respectivas convulsões sociais longas e graves, que se alastraram por toda rede global de mercados macro-regionais. Crise esta caracterizada, por um aspecto, por mobilizações sociais intensas, abruptas e desordenadas das massas sociais, que determinados antigos pensadores representaram, alegoricamente, na noção de “dilúvio” (inundação universal). Estes pensadores focalizaram, entre outros, dois aspectos relevantes atinentes a essa crise econômica: 1. Rompimento (ou redução drástica) abrupto “naquele dia todas as fontes do grande abismo” (Gn 7, 11-b), isto é, rompimento do processo da produção em geral, e do quadro hierárquico que continha, fisicamente, as respectivas relações sociais. Assim, romperam-se, também, as respectivas rede da distribuição, e do sistema financeiro.[3]; 2. Abriram-se as “barreiras” (Cf. Gn 7, 11-c), ou seja, desfizeram-se os meios ideológicos ou “dos céus” de moldagem de conduta e de controle social.[4]
A queda vertiginosa da produção e do comércio entrou em contradição diametral, com o ritmo acelerado do aumento populacional antes propiciado pelo Mercado Global. Em razão disto, generalizaram-se, por toda rede global de mercados macro-regionais, os seguintes fenômenos sócio-históricos: fome e desemprego em massa; revoltas populares; guerras entre estados; turbas famintas e desesperadas das massas populares deixavam, abruptamente, as cidades e seus arredores, e vagavam assolando plantações pelos campos e/ou invadiam as cidades em que ainda podiam encontrar alguns alimentos. No sentido inverso, povos nômades se aproveitavam do caos reinante, nas cidades situadas no interior das configurações espaciais, onde antes existiram mercados macro-regionais. Assim, esses povos bárbaros invadiam e saqueavam cidades, e em alguns casos ocupavam todas ou muitas cidades, que antes integraram um grande império.
Desenhamos acima o quadro sócio-histórico do caos “diluviano”. A ocorrência desse quadro pode ser observada, por volta de 1750 a.C., em diversos mercados macro-regionais (egípcio, mesopotâmico, etc.) integrantes da rede global:[5] O caos interno ao Egito e sua invasão e ocupação pelos hicsos; os cassitas invadiram e ocuparam a Mesopotâmia, na época do Império Babilônico antigo (do povo semita chamado de amorritas); No mercado macro-regional egeu, as cidades, palácios e suas grandes fábricas foram destruídas; povos oriundos de diferentes regiões vagavam sem rumo certo e guerreavam entre si pela disputa de espólios, em regiões da Crescente Fértil, que passa pela Síria e Canaã, em que apareceram Abraão e Melquisedec; os árias arrasaram as principais cidades (Mohenjo-daro e Harapa) do mercado macro-regional da bacia do rio Indo.
[1]. Essa longa fase foi representada, na gênese de Moisés (Gn 5, 29), no termo “Noé”, que significa “descanso” (Bíblia “Ave Maria”, rodapé da p. 53, item número 29, referente ao Gn 5, 29) ou “consolar” (Bíblia de Jerusalém, rodapé da p. 41, item “c”, referente ao Gn 5, 29).
[2]. Cf. Bíblia de Jerusalém, rodapé da p. 47, item “a”, referente ao Gn 10,1.
[3]. Cf.: Art. 6. Genealogia como metáfora de sucessivas etapas de expansão e regressão do Grande Mercado pré-diluviano: chave da decifração do Livro da família de Adão – Dificuldades – 777, 666: http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/09/genealogia-como-metafora-de-sucessivas.html;
Art. 7. Novo dilúvio é revelado pela teoria da genealogia de Adão aplicada no processo de expansão do Grande Mercado pós-diluviano: http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/09/novo-diluvio-e-revelado-pela-teoria-da.html
Machado, F. A. O DILÚVIO na cronologia da realidade sócio-histórica pré e pós-diluviana interpretada pela cronologia da genealogia de Adão – LINHA DO TEMPO, p. 30: http://www.tribodossantos.com/livros/O%20Diluvio.pdf
[4]. Idem, p. 33.
[5] . Cf.: Art. 9. Início e término da queda do Mercado Global pré-diluviana: no Egito, na mesopotâmia e na civilização egéia:
http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/inicio-e-termino-da-queda-do-mercado.html;
Art. 10. Peregrinação de Abraão pela Crescente Fértil no meio do dilúvio que abateu o mercado global pré-diluviano:
http://tribodossantos.blogspot.com.br/2013/02/peregrinacao-de-abraao-pela-crescente.html